{"id":1495,"date":"2026-07-04T14:58:02","date_gmt":"2026-07-04T14:58:02","guid":{"rendered":"https:\/\/cir-internacional.org\/pt\/?p=1495"},"modified":"2026-07-05T01:14:47","modified_gmt":"2026-07-05T01:14:47","slug":"copa-do-mundo-nunca-esqueceremos-o-que-nos-fizeram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cir-internacional.org\/pt\/copa-do-mundo-nunca-esqueceremos-o-que-nos-fizeram\/","title":{"rendered":"Copa do Mundo: Nunca esqueceremos o que nos fizeram"},"content":{"rendered":"<p><em>Por: Edu H. Silva, S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">O Haiti \u00e9 a terra de Toussaint Louverture<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">N\u00f3s somos filhos de Dessalines, n\u00f3s somos filhos de Makandal<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">N\u00f3s nunca esqueceremos o que nos fizeram<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Mas procurem conhecer a nossa hist\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Vox Sambou, \u201cToussaint\u201d)<\/p>\n<p>Novamente, a FIFA, apoiada em seu regimento que beneficia as na\u00e7\u00f5es imperialistas enquanto censura sele\u00e7\u00f5es de pa\u00edses e setores oprimidos por externalizarem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, imp\u00f4s ao Haiti uma determina\u00e7\u00e3o segundo a qual, caso n\u00e3o alterasse a mensagem do uniforme, a sele\u00e7\u00e3o seria eliminada da competi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a entidade se comporta como censor da moral imperialista, apoiando-se numa suposta defesa da neutralidade institucional.<\/p>\n<p><strong>A FIFA e sua suposta \u201cneutralidade\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Em 2022, a FIFA amea\u00e7ou com um cart\u00e3o amarelo os capit\u00e3es de sele\u00e7\u00f5es que utilizassem na bra\u00e7adeira a mensagem \u201cOne\u00a0Love\u201d, que apoia os direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBT; em 2017, a sele\u00e7\u00e3o irlandesa decidiu homenagear os mortos na insurrei\u00e7\u00e3o de 1916, o que resultou em uma multa \u00e0 federa\u00e7\u00e3o de futebol da Irlanda. Segundo a entidade, essas demonstra\u00e7\u00f5es s\u00e3o exemplos de que a Fifa tem neutralidade, como se fosse poss\u00edvel ser neutra na discuss\u00e3o sobre o combate \u00e0 LGBTfobia em pa\u00edses como o Catar, que sediou a Copa do Mundo de 2022, ou at\u00e9 mesmo a reivindica\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de jovens revolucion\u00e1rios irlandeses que foram assassinados por lutar pela liberdade e independ\u00eancia de seu pa\u00eds, que vivia um s\u00e9culo de dom\u00ednio ingl\u00eas.<\/p>\n<p>A mesma entidade que prega a neutralidade compactuou com o regime segregacionista do\u00a0apartheid\u00a0na \u00c1frica do Sul entre 1961 e 1964, sob a justificativa de que esporte e pol\u00edtica n\u00e3o se misturam, e atribuiu a situa\u00e7\u00e3o sul-africana ao \u201ccostume local\u201d. A atitude da entidade contribuiu para o retrocesso na luta internacional contra o regime racista. Em 2018, em meio \u00e0s den\u00fancias de persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT na R\u00fassia, a FIFA adotou o sil\u00eancio, isentando-se de se posicionar contra as atrocidades cometidas por Putin.<\/p>\n<p>Atualmente, na Copa do Mundo de 2026, nos deparamos com in\u00fameras not\u00edcias em que sele\u00e7\u00f5es \u00e1rabes e negras, assim como jornalistas dessas regi\u00f5es, s\u00e3o submetidas a revistas arbitr\u00e1rias e vexat\u00f3rias, como ocorreu contra o Senegal. As cenas de jogadores enfileirados, obrigados a retirar seus t\u00eanis e violentamente abordados por oficiais alfandeg\u00e1rios, sem qualquer justificativa, remetem-nos aos j\u00e1 conhecidos \u201cenquadros\u201d promovidos pela pol\u00edcia no Brasil contra jovens negros e pobres nas periferias do pa\u00eds. A \u201cneutralidade\u201d da Fifa fede a uniforme dos oficiais alfandeg\u00e1rios da Alemanha das d\u00e9cadas de 30 e 40.<\/p>\n<p><strong>A tentativa de apagar a hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Dias antes do in\u00edcio da Copa do Mundo de 2026, a FIFA comunicou \u00e0 sele\u00e7\u00e3o haitiana que a imagem contida no uniforme, da Batalha de Verti\u00e8res, enquadrava o pa\u00eds caribenho como violador das normas da entidade e de sua competi\u00e7\u00e3o internacional, exigindo sua remo\u00e7\u00e3o. Vale lembrar que o Haiti j\u00e1 havia usado esse uniforme em amistosos preparat\u00f3rios na Fl\u00f3rida (EUA) contra as sele\u00e7\u00f5es do Peru e da Nova Zel\u00e2ndia; na \u00e9poca, nada havia sido mencionado. A imagem censurada pela Fifa era uma ilustra\u00e7\u00e3o de combatentes erguendo a bandeira haitiana, representando a Batalha de Verti\u00e8res. Era uma linda homenagem, apesar de ter sido uma iniciativa da fabricante da camisa, a empresa colombiana Saeta. Mas muitos torcedores se sentiram representados por ela, pois simbolizava a consolida\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio na ilha caribenha.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que isso ocorre contra o Haiti. Nos Jogos Ol\u00edmpicos de Inverno, havia uma ilustra\u00e7\u00e3o em homenagem ao revolucion\u00e1rio Toussaint Louverture, e, para que o pa\u00eds caribenho conseguisse participar da competi\u00e7\u00e3o, teve que apagar o l\u00edder revolucion\u00e1rio, deixando apenas a imagem de seu cavalo.<\/p>\n<p><strong>Da cerim\u00f4nia de Bois Ca\u00efman \u00e0 Batalha de Verti\u00e8tes<\/strong><\/p>\n<p>Mas por que uma men\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica no uniforme da sele\u00e7\u00e3o haitiana motivou a censura da FIFA \u00e0 imagem? Para responder, \u00e9 necess\u00e1rio resgatar a hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana e sua import\u00e2ncia a n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>O Haiti, at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, era conhecido como a \u201cP\u00e9rola das Antilhas\u201d por ser a col\u00f4nia mais lucrativa da Fran\u00e7a, devido \u00e0 escravid\u00e3o e \u00e0 garantia do fornecimento de a\u00e7\u00facar e caf\u00e9 para a Europa (respons\u00e1vel por fornecer quase 60% desses recursos). A manuten\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o era necess\u00e1ria para a Fran\u00e7a, mesmo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. A forma\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica contaria com esse importante \u201cmotor\u201d. Do outro lado do Atl\u00e2ntico, os negros escravizados no Haiti lutavam contra o sistema colonial.<\/p>\n<p>Acompanhando o esp\u00edrito da luta contra a escravid\u00e3o que passava pelas montanhas haitianas, em 14 de agosto de 1791, aconteceu uma cerim\u00f4nia Vodu no\u00a0Bois Ca\u00efman,\u00a0com o objetivo de organizar os negros escravizados de v\u00e1rias planta\u00e7\u00f5es para que todos ali presentes estivessem na luta contra o sistema colonial franc\u00eas. A cerim\u00f4nia foi dirigida pela l\u00edder sacerdotisa C\u00e9cile Fatiman e por Dutty Boukman. Esse foi um dos v\u00e1rios momentos que preencheram as condi\u00e7\u00f5es para o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana e \u00e9 um dos eventos mais importantes para a forma\u00e7\u00e3o da identidade antiescravista. Dias depois, o local tornou-se uma refer\u00eancia cultural da luta contra a tirania, que foi aproveitada, um s\u00e9culo e meio depois, na luta contra a ditadura de Duvalier.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana durou treze anos at\u00e9 sua consolida\u00e7\u00e3o, de 1791 a 1804. Um pequeno pa\u00eds ousou desafiar uma das na\u00e7\u00f5es mais poderosas em termos b\u00e9licos naquela \u00e9poca, comandada por uma das principais lideran\u00e7as militares na Europa, Napole\u00e3o Bonaparte. Contraditoriamente, a Fran\u00e7a passava pela consolida\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o e de seu futuro (1789-1799), bem como o do restante dos pa\u00edses europeus, o que dependia do desfecho dos acontecimentos na ilha caribenha. N\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que o que ocorreu no Haiti foi um marco importante para a Am\u00e9rica Latina. Sem o apoio de Dessalines a Sim\u00f3n Bol\u00edvar, que trairia a na\u00e7\u00e3o haitiana ap\u00f3s este o refugiar, certamente os processos de liberta\u00e7\u00e3o nacional na Am\u00e9rica Central e em parte da Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o teriam ocorrido. Nem mesmo pensar no Brasil colonial sem incluir o medo da classe dominante da chamada \u201chaitiniza\u00e7\u00e3o\u201d; provavelmente, a tardia aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no pa\u00eds teria demorado ainda mais.<\/p>\n<p>CLR James, em sua obra \u201cOs Jacobinos Negros:\u00a0Toussaint L\u2019Ouverture e a Revolu\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Domingos\u201d, que narra a revolu\u00e7\u00e3o haitiana sob uma perspectiva marxista, descreve como a for\u00e7a do ex\u00e9rcito haitiano abalou um dos ex\u00e9rcitos mais poderosos do mundo no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, meses antes da Batalha de Verti\u00e8res:<\/p>\n<p>\u201cEra evidente que n\u00f3s n\u00e3o inspir\u00e1vamos mais um terror mortal, e essa \u00e9 a maior desgra\u00e7a que pode recair sobre um ex\u00e9rcito\u201d. Lacroix podia notar, na popula\u00e7\u00e3o, o efeito do desafio indom\u00e1vel ao famoso ex\u00e9rcito do Primeiro-C\u00f4nsul. (\u2026) Os soldados ainda se viam como uma armada revolucion\u00e1ria. Mas \u00e0 noite eles ouviam os negros na fortaleza cantando a \u201cMarselhesa\u201d, a \u201c\u00c7a Ira\u201d e outras can\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. Lacroix relatou que aqueles miser\u00e1veis extraviados estremeciam e olhavam para seus superiores quando ouviam as m\u00fasicas, como se dissessem: \u201cSer\u00e1 que os nossos inimigos b\u00e1rbaros t\u00eam a justi\u00e7a do seu lado? Ser\u00e1 que j\u00e1 n\u00e3o somos mais os soldados da Rep\u00fablica francesa? E ser\u00e1 que nos tornamos meros instrumentos pol\u00edticos?\u00a0(JAMES, 2010, p\u00e1gina 289).<\/p>\n<p>E continua, na mesma p\u00e1gina, narrando que um \u201cregimento de poloneses, recordando sua pr\u00f3pria luta pelo nacionalismo, recusou-se a tomar parte no massacre dos seiscentos negros ordenado por Lecrerc\u201d. Por esse feito, Dessalines, o primeiro chefe de Estado do Haiti, concedeu cidadania aos poloneses e chamou-os de os \u201cnegros brancos da Europa\u201d, o que era ent\u00e3o considerado uma grande honra.<\/p>\n<p>Ao longo dos meses, a insurrei\u00e7\u00e3o haitiana foi se fortalecendo. Mesmo diante da pris\u00e3o de Toussaint no Fort-de-Joux, a revolu\u00e7\u00e3o seguia seu curso. \u201cMas Toussaint tinha de desaparecer e Napole\u00e3o decidiu mat\u00e1-lo por maus-tratos, frio e fome\u201d, seguido de in\u00fameras torturas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, apoiado em uma vis\u00e3o racista de que negros podiam ser submetidos a tratos de maior viol\u00eancia, comparados aos brancos encarcerados. Infelizmente, uma l\u00f3gica que ainda persiste nos pres\u00eddios pelo mundo afora, principalmente no Brasil. Mas Napole\u00e3o, que acreditava que a morte do l\u00edder revolucion\u00e1rio o colocaria em vantagem b\u00e9lica para vencer a guerra, estava completamente equivocado, pois, \u201cdurante as \u00faltimas horas de Toussaint, seus companheiros de armas, ignorando seu destino, redigiam a Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia\u201d (JAMES, p\u00e1gina 331), demonstrando que a revolu\u00e7\u00e3o haitiana n\u00e3o cessaria nem seria interrompida.<\/p>\n<p>A nova bandeira haitiana, com as cores vermelha e azul, retirando a branca, foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de Dessalines de que os haitianos nada tinham em comum com seus opressores, passando a levantar a palavra de ordem \u201cLiberdade ou Morte\u201d.<\/p>\n<p>Foi com esse esp\u00edrito que se deu a Batalha de Verti\u00e8res, ocorrida em 18 de novembro de 1803. De um lado, o ex\u00e9rcito haitiano, rec\u00e9m-fundado por ex-escravos, liderado por Dessalines, e, do outro, a for\u00e7a expedicion\u00e1ria francesa, liderada por Napole\u00e3o Bonaparte, que tinha como objetivo a retomada por completo do controle da ilha. As tropas francesas j\u00e1 se encontravam em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. Al\u00e9m das baixas que sofriam, viviam isolados, uma vez que o Haiti (antiga S\u00e3o Domingos) estava majoritariamente dominado pelos haitianos. Verti\u00e8res era a \u00faltima fortaleza francesa. Se ela ca\u00edsse, o destino da Fran\u00e7a estaria tra\u00e7ado.<\/p>\n<p>Antes do amanhecer do dia 18 de novembro, Dessalines organizou suas tropas em posi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para bombardear o ex\u00e9rcito franc\u00eas, obtendo como resposta uma poderosa contraofensiva, mas se mostrou insuficiente diante do avan\u00e7o haitiano. Mesmo ap\u00f3s o cavalo do general haitiano Fran\u00e7ois Capois ser atingido, o revolucion\u00e1rio haitiano levanta-se em meio \u00e0 poeira e grita \u00e0 sua tropa para avan\u00e7ar, motivando o ex\u00e9rcito haitiano a seguir seu trajeto. Um feito \u00fanico na hist\u00f3ria das guerras. At\u00e9 o general franc\u00eas Rochambeau \u2013 que era conhecido por seu n\u00edvel de crueldade, chegando a usar cachorros para devorar combatentes negros \u2013 enviou um mensageiro para reconhecer a bravura do general haitiano. O Haiti conseguiu tomar posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas. Cercou as tropas francesas e obrigou-as a se renderem. No fim do dia em Verti\u00e8res, assim como na noite da cerim\u00f4nia em Bois Caiman, trov\u00f5es rasgavam os c\u00e9us e anunciavam um novo momento na hist\u00f3ria. Chegava a hora do fim do dom\u00ednio franc\u00eas. E, assim, um m\u00eas depois, nascia a primeira rep\u00fablica negra.<\/p>\n<p>De norte a sul das Am\u00e9ricas, o Haiti tornou-se uma refer\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o negra das m\u00e3os de seus opressores. A Batalha de Verti\u00e8re \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o universal de que a liberdade s\u00f3 ser\u00e1 conquistada a partir da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A retalia\u00e7\u00e3o do capitalismo ao Haiti rebelde<\/strong><\/p>\n<p>O desfecho da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana mereceria outro artigo, indo desde a imposi\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa para o reconhecimento da independ\u00eancia por parte da Fran\u00e7a at\u00e9 os in\u00fameros golpes de Estado patrocinados pelos EUA. A retalia\u00e7\u00e3o ao Haiti rebelde foi global, unindo desde governos imperialistas dos Estados Unidos at\u00e9 governos vassalos como Lula, que invadiu o Haiti em 2004 para agradar Bush por meio da assassina Minustah. A forma como o mundo tratou a primeira na\u00e7\u00e3o negra, fruto de um processo revolucion\u00e1rio, foi a tentativa de dizer \u00e0s outras na\u00e7\u00f5es: se voc\u00eas se rebelarem, faremos o mesmo. Um dos casos mais graves, que infelizmente contou com o protagonismo da maior na\u00e7\u00e3o negra fora do continente africano, Brasil, resultou em centenas de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<p>Durante a invas\u00e3o militar ao Haiti, de 2004 at\u00e9 2017, o Brasil, com o aval dos governos Lula e Dilma (PT), foi respons\u00e1vel por crimes sexuais contra mulheres e crian\u00e7as (mais de duas mil v\u00edtimas); massacre em Cit\u00e9 Soleil, tendo as mulheres como esmagadora maioria das v\u00edtimas; viol\u00eancia contra estudantes e trabalhadores em manifesta\u00e7\u00f5es contra a presen\u00e7a militar da MINUSTAH; entre outros abusos. Em 2011, a pr\u00f3pria ONU foi obrigada a assumir \u2013 e s\u00f3 isso \u2013 as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas pelas \u201cTropas de Paz na ONU\u201d, inclusive contra as tropas uruguaias denunciadas por estupros coletivos, recebendo como resposta do ent\u00e3o presidente, Pepe Mujica, um t\u00edmido pedido de desculpas, mas nada al\u00e9m disso, mesmo que o v\u00eddeo do estupro de uma jovem haitiana fosse publicado pela imprensa local na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que o imperialismo, representado pela Casa Branca, que faz jus ao seu nome, buscou retaliar o Haiti de todas as formas, estando por tr\u00e1s de cinco golpes de Estado, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que os governos da Am\u00e9rica Latina, representados pelo Brasil (Lula), Bol\u00edvia (Evo Morales) e Chile (Bachelet), assim como o j\u00e1 mencionado Uruguai (V\u00e1zquez e depois Mujica), assumiram papel de vassalos do imperialismo estadunidense. O pr\u00f3prio Hugo Ch\u00e1vez, embora n\u00e3o tenha participado militarmente da invas\u00e3o, forneceu petr\u00f3leo aos governos fantoches dos interesses norte-americanos.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o haitiana possibilitou a proje\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de figuras militares como o golpista General Heleno, que foi do GSI no governo Bolsonaro, e do governador de S\u00e3o Paulo, Tarc\u00edsio de Freitas (Republicanos), que fez parte dos governos Bolsonaro e Dilma. Todos eles, na \u00e9poca, foram elogiados por seus feitos no Haiti.<\/p>\n<p><strong>Nunca esqueceremos o que fizeram<\/strong><\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o que abre este artigo, em mem\u00f3ria dos combatentes da Batalha de Verti\u00e8res, do m\u00fasico Vox Sambou, anuncia que \u201cnunca esqueceremos o que fizeram\u201d. E \u00e9 com esse esp\u00edrito que a na\u00e7\u00e3o haitiana segue firme. Mesmo em meio aos golpes e inger\u00eancias do imperialismo, a classe trabalhadora haitiana luta contra todos os governos de plant\u00e3o. Foi contra essa hist\u00f3ria, da primeira revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa dirigida por escravos, que a FIFA se posicionou. A chamada \u201cneutralidade\u201d da entidade esportiva cheira aos canh\u00f5es das tropas comandadas pelo general Rochambeau, mas h\u00e1 de chegar um momento em que todos eles seguir\u00e3o o mesmo destino: a ru\u00edna.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana demonstrou ao mundo que \u00e9 poss\u00edvel derrotar os governos opressores e exploradores; que, quando a insurrei\u00e7\u00e3o se instaura, n\u00e3o h\u00e1 canh\u00e3o nem bomba capazes de conter os explorados e oprimidos. Nunca esqueceremos o que fizeram! Cabe \u00e0 nossa gera\u00e7\u00e3o levantar o fio de continuidade iniciado pela Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, que se encontrou com a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, que \u00e9 tra\u00e7ado pela resist\u00eancia ucraniana e pelos palestinos, e agora est\u00e1 presente na Bol\u00edvia contra Rodrigo Paz, e dizermos em um s\u00f3 som: h\u00e1 de chegar \u00e0 ru\u00edna do capitalismo, e dela construiremos uma sociedade socialista, pois somente no socialismo as tarefas dadas pela revolu\u00e7\u00e3o haitiana ser\u00e3o concretizadas em um um mundo onde n\u00e3o haver\u00e1 mais senhores!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Edu H. 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