{"id":1301,"date":"2026-05-24T16:35:26","date_gmt":"2026-05-24T16:35:26","guid":{"rendered":"https:\/\/cir-internacional.org\/pt\/?p=1301"},"modified":"2026-05-27T02:12:38","modified_gmt":"2026-05-27T02:12:38","slug":"o-antissionismo-nao-e-antissemitismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cir-internacional.org\/pt\/o-antissionismo-nao-e-antissemitismo\/","title":{"rendered":"O antissionismo n\u00e3o \u00e9 antissemitismo."},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 uma velha narrativa sionista que apresenta como antissemitismo qualquer questionamento do Estado de Israel e dos seus permanentes ataques ao povo palestino. Ca\u00edram bombas israelitas, morreram crian\u00e7as, mulheres, idosos palestinos, surgiram cr\u00edticas internacionais e de todas as embaixadas israelitas gritaram: Antissemitismo!<\/em><\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 o argumento que foi usado para processar e condenar o dirigente brasileiro do PSTU e da LIT, Jos\u00e9 Maria de Almeida, e que anteriormente serviu para processar os argentinos Alejandro Bodart e Vianina Biasi, dirigentes das organiza\u00e7\u00f5es argentinas MST e Partido Obrero, respectivamente<\/em><\/p>\n<p><em>Todas essas acusa\u00e7\u00f5es, processos e condena\u00e7\u00f5es s\u00e3o impulsionadas pelo sionismo por meio de suas ag\u00eancias nacionais, que contam com o sil\u00eancio e at\u00e9 mesmo a cumplicidade da justi\u00e7a e dos governos da maioria dos pa\u00edses, mesmo daqueles que admitem, como o governo de Lula, que o que est\u00e1 acontecendo em Gaza \u00e9 um genoc\u00eddio. O objetivo \u00e9 claro: silenciar as vozes daqueles que apoiam a Palestina e repudiam o Estado genocida de Israel.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas eles n\u00e3o conseguiram atingir esse objetivo e at\u00e9 mesmo aumentou o n\u00famero de judeus em todo o mundo, especialmente nos EUA, que gritam: \u201cN\u00e3o em nosso nome!\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Ao completar-se 78 anos da Nakba e diante das novas amea\u00e7as a Gaza e da exig\u00eancia de Trump pelo desarmamento do Hamas, dizemos: A guerra n\u00e3o foi iniciada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. A guerra foi iniciada por Israel h\u00e1 78 anos quando, com o apoio dos EUA, de todo o imperialismo e tamb\u00e9m da ex-URSS de Stalin, expulsou de suas terras, a sangue e fogo, 800 mil palestinos.<\/em><\/p>\n<p><em>Todo o apoio a Gaza! N\u00e3o ao desarmamento do Hamas e da resist\u00eancia palestina! At\u00e9 mesmo a ONU reconhece que um povo que sofre opress\u00e3o colonial tem direito \u00e0 resist\u00eancia, utilizando todos os meios \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, inclusive a luta armada.<\/em><\/p>\n<p>Por Alicia Sagra<\/p>\n<p>A atitude corajosa destes Judeus, que gritam: \u201cN\u00e3o em nosso nome!\u201d, que realizaram algo sem precedentes, na defesa dos direitos do povo palestino, enfrentando n\u00e3o s\u00f3 a repress\u00e3o dos seus governos, mas tamb\u00e9m a rejei\u00e7\u00e3o da maioria da sua comunidade, s\u00e3o uma prova conclusiva das mentiras do Sionismo. Dizem \u201cn\u00e3o em nosso nome\u201d porque n\u00e3o \u00e9 um confronto entre religi\u00f5es, mu\u00e7ulmanos contra judeus, o que se desenvolve, h\u00e1 mais de 75 anos, na Palestina.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma comprova\u00e7\u00e3o atual de algo que contam velhos exilados palestinos sobre como na sua inf\u00e2ncia, antes da Nakba, crian\u00e7as judias, crist\u00e3s e mu\u00e7ulmanas brincavam juntas, sem se preocuparem com a religi\u00e3o umas das outras. Seus pais eram em sua maioria camponeses pobres, muito sofredores, todos suportaram a opress\u00e3o do colonialismo ingl\u00eas, mas n\u00e3o tinham problemas entre si. Embora houvesse uma diferen\u00e7a na integra\u00e7\u00e3o entre os judeus nativos da regi\u00e3o (sefarditas) que estavam totalmente integrados, com os judeus europeus (ashkenazi) que vinham sendo introduzidos pelo sionismo (em acordo com o imperialismo ingl\u00eas desde a declara\u00e7\u00e3o Balfour[1]) e que eram colonos armados que disputavam a terra com os palestinos sempre que podiam.<\/p>\n<p>A opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o colonial eram cada vez mais violentas e a Palestina tornou-se uma terra em ebuli\u00e7\u00e3o que eclodiu na revolu\u00e7\u00e3o de 1936. A partir de ent\u00e3o, os brit\u00e2nicos viram nos colonos sionistas uma ferramenta importante. Como diz Schoenman,[2] \u201cos sionistas ofereceram-lhes um recurso \u00fanico que nunca tiveram em nenhuma col\u00f4nia: uma for\u00e7a local que fez causa comum com o colonialismo brit\u00e2nico e que foi intensamente mobilizada contra a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena\u201d.<\/p>\n<p>Outra grande falsidade \u00e9 que a constru\u00e7\u00e3o de Israel teve uma motiva\u00e7\u00e3o religiosa, \u201co regresso \u00e0 terra prometida, de onde foram expulsos\u201d, como diz a propaganda sionista.<\/p>\n<p>O sionismo, ao rejeitar a luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista para resolver a quest\u00e3o judaica, viu, como \u00fanica forma de acabar com a discrimina\u00e7\u00e3o, ter um territ\u00f3rio pr\u00f3prio que reunisse todos os judeus do mundo. Mas as suas propostas durante muitos anos foram muito minorit\u00e1rias porque a maioria dos judeus queriam ser assimilados nos seus respectivos pa\u00edses.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do sionismo mudou ap\u00f3s o Holocausto nazi e, fundamentalmente, com a recusa dos pa\u00edses europeus em assumir o contingente de homens e mulheres que regressaram dos campos de concentra\u00e7\u00e3o com profundas feridas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Assim, para resolver a \u201cquest\u00e3o judaica\u201d nos seus pa\u00edses, os governos imperialistas come\u00e7aram a apoiar a proposta sionista de \u201cterra para um povo sem terra\u201d.<\/p>\n<p>Para atingir os seus objetivos, os sionistas colaboraram com todos os imperialismos que, por sua vez, os usaram como ferramenta para defender os seus interesses coloniais, primeiro os ingleses e depois os ianques que, at\u00e9 hoje, os armam at\u00e9 os dentes para garantir que Israel seja o seu gendarme no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Portanto, a cria\u00e7\u00e3o de Israel sempre foi uma quest\u00e3o pol\u00edtica, nunca teve um motivo religioso, embora esse tenha sido o argumento que os sionistas usaram para ganhar seguidores.<\/p>\n<p><strong>Os quatro mitos do sionismo<\/strong><\/p>\n<p>O intelectual e ativista marxista judeu-americano, Ralph Schoenman , fala sobre os quatro mitos nos quais o sionismo se baseia:<\/p>\n<p>1.\u00a0<strong>Uma terra sem povo para um povo sem terr<\/strong>a\u00a0\u2013 Quando, na realidade,\u00a0\u201cem 1947 havia 630.000 judeus e 1.300.000 \u00e1rabes palestinos [3]. Assim, no momento em que as Na\u00e7\u00f5es Unidas dividiram a Palestina, os judeus representavam 31% da popula\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o de dividir a Palestina, promovida pelas principais pot\u00eancias imperialistas e pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica de Stalin, deu 54% das terras f\u00e9rteis ao movimento sionista. Mas antes da forma\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, o Irgun e a Haganah .\u201d[4] se apoderaram de tr\u00eas quartos. da terra e expulsaram praticamente todos os habitantes[5]<\/p>\n<p>2.\u00a0<strong>A democracia israelita<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0\u201cIn\u00fameras not\u00edcias e refer\u00eancias ao Estado de Israel na televis\u00e3o ou na imprensa incluem o slogan de que \u00e9 a \u00fanica democracia \u201caut\u00eantica\u201d no Oriente M\u00e9dio. Na realidade, Israel \u00e9 t\u00e3o democr\u00e1tico quanto o apartheid sul-africano pode ser. As liberdades c\u00edvicas, os procedimentos judiciais e os direitos humanos b\u00e1sicos s\u00e3o negados por lei \u00e0queles que n\u00e3o cumprem os requisitos raciais e religiosos\u201d [6].<\/p>\n<p>3.\u00a0<strong>A seguran\u00e7a<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0\u201cOs sionistas afirmam que o seu estado tem que ser a quarta pot\u00eancia militar do mundo porque Israel foi for\u00e7ado a defender-se da amea\u00e7a iminente das massas \u00e1rabes primitivas e cheias de \u00f3dio, rec\u00e9m-descidas das \u00e1rvores. \u2018Seguran\u00e7a\u2019 tem sido o slogan usado para cobrir o extenso massacre de popula\u00e7\u00f5es civis em toda a Palestina e no L\u00edbano, para confiscar terras palestinas e \u00e1rabes, para expandir para territ\u00f3rios vizinhos e construir novos assentamentos, para deportar e torturar sistematicamente prisioneiros pol\u00edticos\u201d [7]<\/p>\n<p>4.\u00a0<strong>O sionismo como herdeiro moral das v\u00edtimas do Holocausto<\/strong>.\u00a0\u201c\u00c9 o mais difundido e mais insidioso dos mitos do sionismo. Os ide\u00f3logos deste movimento envolveram-se na mortalha coletiva dos seis milh\u00f5es de judeus que foram v\u00edtimas do assassinato massivo nazi. A cruel e amarga ironia desta falsa reivindica\u00e7\u00e3o reside no fato de o movimento sionista ter mantido um conluio ativo com o nazismo desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p>Parece estranho para a maioria das pessoas que o movimento sionista, que sempre invoca o horror do Holocausto, tenha colaborado ativamente com o inimigo mais ferrenho que os judeus alguma vez tiveram. No entanto, a hist\u00f3ria revela n\u00e3o apenas uma comunidade de interesses, mas uma profunda afinidade ideol\u00f3gica que tem as suas ra\u00edzes no chauvinismo extremo que partilham.\u201d [8]<\/p>\n<p>Esta afinidade ideol\u00f3gica entre o sionismo e o nazismo que Schoenman menciona tem a ver com o facto de os dois movimentos partilharem a teoria da \u201cpureza do sangue\u201d, alguns s\u00e3o \u201ca ra\u00e7a superior\u201d, outros \u201co povo eleito\u201d. O l\u00edder sionista Leev Jabotinsky, enfrentando o processo de assimila\u00e7\u00e3o que se desenvolvia entre os judeus alem\u00e3es e defendendo as suas afirma\u00e7\u00f5es de que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o judaica era obter o seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, salienta:\u00a0\u201c\u00c9 imposs\u00edvel algu\u00e9m assimilar-se com pessoas que tem um sangue diferente do seu (\u2026) n\u00e3o pode haver assimila\u00e7\u00e3o. Nunca devemos permitir coisas como o casamento misto porque a preserva\u00e7\u00e3o da identidade nacional s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da pureza racial e para esse fim devemos ter aquele territ\u00f3rio no qual o nosso povo constituir\u00e1 os habitantes racialmente puros\u201d [9].<\/p>\n<p>E essa doutrina tornou-se uma pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o com os diferentes imperialismos e, embora possa parecer incr\u00edvel, tamb\u00e9m com aquele liderado por Hitler.\u00a0\u201cA Federa\u00e7\u00e3o Sionista da Alemanha enviou um memorando de apoio ao Partido Nazista em 21 de junho de 1933. Afirmava: \u2018\u2026um renascimento da vida nacional como o que ocorre na vida alem\u00e3\u2026 tamb\u00e9m deve ocorrer no grupo nacional judeu.<\/p>\n<p>Com base no novo estado (nazista) que estabeleceu o princ\u00edpio da ra\u00e7a, desejamos enquadrar a nossa comunidade na estrutura global para que tamb\u00e9m n\u00f3s, na esfera que nos foi atribu\u00edda, possamos desenvolver uma atividade frut\u00edfera para a P\u00e1tria&#8230;\u2019<\/p>\n<p>Longe de repudiar esta pol\u00edtica, o Congresso da Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial de 1933 rejeitou por 240 votos a 43 uma resolu\u00e7\u00e3o que apelava \u00e0 a\u00e7\u00e3o contra Hitler\u201d [10]<\/p>\n<p>Ao longo de sua obra, Schoenman d\u00e1 provas da colabora\u00e7\u00e3o do sionismo com o regime nazista, sendo c\u00famplice do sofrimento do povo judeu, a fim de obter apoio para sua proposta de Estado pr\u00f3prio. Alguns exemplos:<\/p>\n<p>Em 1933 fizeram um acordo comercial entre o Banco Anglo-Palestino da organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial e o Estado alem\u00e3o, rompendo o boicote judaico ao regime nazi.<\/p>\n<p>Em 1938, Ben Gurion, numa assembleia de sionistas trabalhistas na Gr\u00e3-Bretanha, declarou o seguinte:\u00a0\u201cSe eu soubesse que era poss\u00edvel salvar todas as crian\u00e7as da Alemanha levando-as para a Gr\u00e3-Bretanha e apenas metade delas transportando-as para Erstz Israel, eu escolheria a segunda alternativa\u201d<\/p>\n<p>Como diz Schoenman, a obsess\u00e3o em colonizar a Palestina e, em ser mais do que os \u00e1rabes, levou o movimento sionista a opor-se a qualquer resgate dos judeus amea\u00e7ados de exterm\u00ednio, para que n\u00e3o houvesse obst\u00e1culos ao desvio de uma seleta for\u00e7a de trabalho para a Palestina.<\/p>\n<p>Assim, entre 1933 e 1935, a Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial rejeitou dois ter\u00e7os dos judeus alem\u00e3es que solicitaram um certificado de imigra\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo, o OSM (Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial) encorajou um plano para a emigra\u00e7\u00e3o de judeus para a Palestina com o argumento de amea\u00e7as de exterm\u00ednio. Mas havia judeus alem\u00e3es muito velhos para procriar na Palestina, sem qualifica\u00e7\u00f5es profissionais para construir uma col\u00f4nia sionista, que n\u00e3o falavam hebraico e n\u00e3o eram sionistas. No lugar dos judeus amea\u00e7ados de exterm\u00ednio, a OSM trouxe para a Palestina seis mil jovens sionistas dos Estados Unidos e da Gr\u00e3-Bretanha e de outros pa\u00edses onde n\u00e3o havia amea\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEm julho de 1944, o l\u00edder judeu eslovaco, Rabino Dov Michael Weismandel, numa carta aos respons\u00e1veis \u200b\u200bsionistas encarregados das \u2018organiza\u00e7\u00f5es de resgate\u2019 prop\u00f4s uma s\u00e9rie de medidas para salvar os judeus condenados ao exterm\u00ednio em Auschwitz. Ofereceu mapas exatos das ferrovias e pediu o bombardeio dos ramais ao longo dos quais os judeus h\u00fangaros eram transportados para os cremat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Pediu que os fornos de Auschwitz fossem bombardeados, que fossem lan\u00e7adas muni\u00e7\u00f5es de paraquedas para 80.000 prisioneiros, que paraquedas sapadores fossem lan\u00e7ados para explodir todos os meios de aniquila\u00e7\u00e3o e assim p\u00f4r fim \u00e0 crema\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de 13.000 judeus.<\/p>\n<p>Caso os Aliados rejeitassem o pedido, Weismandel prop\u00f4s que os sionistas, que tinham fundos e organiza\u00e7\u00e3o, obtivessem avi\u00f5es, recrutassem volunt\u00e1rios judeus e realizassem a sabotagem\u201d\u00a0[11]<\/p>\n<p>Como explica Schoenman, Weismandel n\u00e3o foi o \u00fanico, no final dos anos 1930 e nos 1940, porta-vozes judeus na Europa pediram ajuda, campanhas p\u00fablicas, resist\u00eancia organizada, manifesta\u00e7\u00f5es para for\u00e7ar os governos aliados, a resposta foi o sil\u00eancio dos sionistas. N\u00e3o houve nenhum bombardeio dos fornos pelos aliados.<\/p>\n<p>Em julho de 1944, Weismandel escreveu aos sionistas uma carta que dizia:\u00a0\u201cPor que voc\u00eas n\u00e3o fizeram nada por n\u00f3s at\u00e9 agora? Quem \u00e9 o culpado por esta terr\u00edvel neglig\u00eancia? Voc\u00eas, irm\u00e3os judeus, que t\u00eam a maior sorte do mundo, a liberdade, n\u00e3o s\u00e3o os culpados?<\/p>\n<p>(\u2026)\u00a0Voc\u00eas, irm\u00e3os judeus, filhos de Israel, est\u00e3o loucos? Voc\u00eas n\u00e3o sabem o inferno que nos rodeia? Para quem est\u00e3o guardando seu dinheiro? Assassinos! Loucos!\u00a0\u2026[12]<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esta a\u00e7\u00e3o sionista durante a Segunda Guerra Mundial, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que, em maio de 1935, Reihard Heydrich, chefe do Servi\u00e7o de Seguran\u00e7a das SS, tenha escrito um artigo no qual dividiu os judeus em duas categorias, apoiando os judeus sionistas, dizendo que: \u201cContam com os nossos melhores votos e a nossa boa vontade oficial\u201d[13]<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os sionistas que afirmam ser os herdeiros das v\u00edtimas do Holocausto do povo judeu. Provavelmente \u00e9 dif\u00edcil de acreditar, mas estas acusa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o feitas por figuras antissemitas, mas por prestigiados intelectuais judeus. Todos estes dados est\u00e3o amplamente documentados no livro \u201cSionismo na Era dos Ditadores\u201d [14] do escritor judeu-americano Lenni Brenner e citados em \u201cA Hist\u00f3ria Oculta do Sionismo\u201d do escritor judeu Ralph Schoenmen.<\/p>\n<p><strong>Sionismo n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de Juda\u00edsmo. Sionismo \u00e9 sin\u00f4nimo de nazifascismo<\/strong><\/p>\n<p>O sionismo n\u00e3o s\u00f3 partilha a ideologia racista dos nazis, n\u00e3o s\u00f3 colaborou com eles, mas incorporou os seus terr\u00edveis m\u00e9todos de exterm\u00ednio usados \u200b\u200bsobre os judeus, agora aplicados contra a popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe palestina.<\/p>\n<p>Esta realidade explica a deteriora\u00e7\u00e3o do sionismo entre os jovens judeus, que hoje gritam: N\u00e3o em nosso nome! e levantam-se contra os bombardeios criminosos em Gaza. Bombardeios que contam com o apoio descarado dos EUA, da maioria dos governos do mundo e com a cumplicidade da imprensa internacional que multiplica a propaganda mentirosa do sionismo.<\/p>\n<p>Esta realidade \u00e9 o que explica a posi\u00e7\u00e3o de intelectuais judeus como Brenner, como Shoenman, que j\u00e1 h\u00e1 algum tempo denunciam estas atrocidades, e como o historiador israelita Illan Pappe, que publicou recentemente um artigo justificando e reivindicando a resist\u00eancia palestina e a sua contraofensiva militar de 7 de outubro.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o estamos sendo antissemitas ao comparar o sionismo com o nazismo?<\/strong><\/p>\n<p>Nahuel Moreno recebeu uma pergunta semelhante e respondeu da seguinte forma:<\/p>\n<p>\u201cA esquerda sionista acusa-me de ser antissemita, sobretudo porque defendo a necessidade da destrui\u00e7\u00e3o do Estado sionista.<\/p>\n<p>Como marxista, parto do princ\u00edpio de que o proletariado de uma na\u00e7\u00e3o que explora e oprime outra, como Israel faz com os \u00e1rabes e palestinos, n\u00e3o pode libertar-se. A classe trabalhadora judaica \u00e9 herdeira de uma tradi\u00e7\u00e3o gloriosa na luta de classes: o caminho do proletariado ocidental, incluindo o argentino, est\u00e1 repleto de uma multid\u00e3o de heroicos combatentes judeus. Mas este proletariado n\u00e3o poder\u00e1 continuar at\u00e9 ao fim, nem renovar e superar a sua gloriosa tradi\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00e3o ficar do lado dos palestinos e dos \u00e1rabes, que s\u00e3o reprimidos, perseguidos e escravizados pelo Estado de Israel. (\u2026) a quest\u00e3o a ser respondida a respeito das rela\u00e7\u00f5es entre povos, ra\u00e7as, na\u00e7\u00f5es e classes \u00e9 muito simples: quem oprime e quem \u00e9 oprimido? Para um marxista revolucion\u00e1rio a resposta \u00e9 t\u00e3o simples quanto a pergunta: estamos contra os opressores e a favor dos oprimidos. Defendemos estes \u00faltimos at\u00e9 \u00e0 morte, sem deixar de apontar, quando necess\u00e1rio, os erros da sua dire\u00e7\u00e3o (\u2026)\u201d [15]<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que se coloca atualmente \u00e9 se deveria haver uma pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores israelitas na luta contra o Estado sionista. H\u00e1 at\u00e9 quem justifique a sua posi\u00e7\u00e3o de honrar as v\u00edtimas de Israel como parte de uma pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe oper\u00e1ria israelita. Moreno tamb\u00e9m respondeu a isso, baseado na pergunta feita por um camarada chileno:<\/p>\n<p>\u201cSe o prop\u00f3sito decisivo e fundamental \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do Estado Sionista, trata-se de estabelecer quais s\u00e3o as for\u00e7as objetivas que neste momento est\u00e3o embarcadas nesta tarefa progressista, hist\u00f3rica (\u2026). Acaso s\u00e3o os explorados e discriminados Sabras e Sefarditas de Israel? Ou s\u00e3o os trabalhadores Ashkenazi? Neste momento, estas for\u00e7as s\u00e3o o baluarte do Estado sionista e n\u00e3o a vanguarda da sua destrui\u00e7\u00e3o. A aristocracia trabalhista Ashkenazi, atrav\u00e9s do Partido Trabalhista, est\u00e1 totalmente envolvido no sionismo. Os Sabras e os Sefarditas deram a Begin a base eleitoral e apoiam entusiasticamente os seus planos de colonizar terras \u00e1rabes. Isto deixa atualmente o movimento \u00e1rabe e mu\u00e7ulmano como o \u00fanico setor social em luta permanente contra Israel, em cuja vanguarda indiscut\u00edvel est\u00e3o os palestinos, expulsos da sua terra natal pelos sionistas.\u201d [16]<\/p>\n<p>Essa resposta de Moreno de 1982 permanece completamente atual. \u00c9 por isso que n\u00e3o pode haver d\u00favidas sobre qual lado da hist\u00f3ria \u00e9 verdadeiro. Como diz Illan Papp\u00e9 no seu artigo recente:\u00a0\u201cExiste uma alternativa. Na verdade, sempre existiu: uma Palestina dessionizada, livre e democr\u00e1tica, do rio ao mar; \u201cuma Palestina que acolha de volta os refugiados e construa uma sociedade que n\u00e3o discrimine com base na cultura, religi\u00e3o ou etnia.\u201d<\/p>\n<p>E para alcan\u00e7ar esta alternativa de \u201cum Estado Palestino \u00fanico, secular, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista\u201d \u00e9 necess\u00e1ria a destrui\u00e7\u00e3o do Estado Sionista de Israel. A pol\u00edtica de \u201cdois Estados vivendo em paz\u201d foi a pol\u00edtica de partilha feita pela ONU e sempre foi injusta. Al\u00e9m disso, \u00e9 algo imposs\u00edvel, uma utopia reacion\u00e1ria, face ao Estado expansionista de Israel que atua com o apoio e como ponta de lan\u00e7a do imperialismo ianque no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Pode parecer que esta tarefa \u00e9 imposs\u00edvel de realizar, pois envolve derrotar a quarta pot\u00eancia militar do mundo, que conta com o total apoio da primeira, o imperialismo ianque. Tamb\u00e9m parecia imposs\u00edvel que os ianques fossem derrotados no Vietn\u00e3. Mas isso foi conseguido com a combina\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia heroica das massas vietnamitas, dispostas a tudo, tal como as massas palestinas hoje, com a mobiliza\u00e7\u00e3o internacional, especialmente nos Estados Unidos. E hoje estamos vendo como o ataque dos EUA e de Israel est\u00e1 sendo repelido no Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Mais um elemento que refor\u00e7a a tese de Ilan Papp\u00e9 de que estamos diante do in\u00edcio do fim do Estado de Israel.<\/p>\n<p>____________________________________<\/p>\n<p>[1] Os sionistas conseguiram romper com o imperialismo ingl\u00eas, o que vinham tentando h\u00e1 muito tempo com os ex-colonizadores (o Imp\u00e9rio Otomano e o Imp\u00e9rio Alem\u00e3o). Em 2 de novembro de 1917, foi publicada a Declara\u00e7\u00e3o Balfour, que entre outras coisas diziam: \u201cO Governo de Sua Majestade v\u00ea favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e far\u00e1 tudo o que estiver ao seu alcance para facilitar a realiza\u00e7\u00e3o desse objetivo\u2026\u201d<\/p>\n<p>[2] Ralph Schoenman, que morreu em 30 de setembro, foi uma das figuras mais proeminentes da esquerda marxista norte-americana. Nasceu em 1935 e em 1958 foi para a Gr\u00e3-Bretanha onde estudou Economia. Trabalhou com o fil\u00f3sofo liberal pacifista Bertrand Russel, participou de atividades contra armas nucleares e foi acusado de atividades antiamericanas por denunciar crimes ianques na Indochina. Seu passaporte americano foi revogado por ter visitado o Vietn\u00e3 do Norte. Por instiga\u00e7\u00e3o do governo ianque foi preso em v\u00e1rios pa\u00edses. Por ter denunciado as rela\u00e7\u00f5es do sionismo com o nazismo, foi acusado de antissemitismo, apesar de se ter recusado violentamente a participar numa Confer\u00eancia de \u201chistoriadores revisionistas\u201d (aqueles que negam o Holocausto). A sua obra \u201cA Hist\u00f3ria Oculta do Sionismo\u201d, um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9rio, que se torna relevante por ser escrito por um judeu, \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria para quem quer conhecer o sionismo e a sua rela\u00e7\u00e3o com o juda\u00edsmo.<\/p>\n<p>[3] Isto ap\u00f3s o movimento de envio, pela organiza\u00e7\u00e3o sionista mundial, de jovens judeus de diversos pa\u00edses para se estabelecerem na Palestina como colonos.<\/p>\n<p>[4] Haganah, principal organiza\u00e7\u00e3o paramilitar dos colonos judeus na Palestina, que se dizia \u201csocialista\u201d, fundada por Leev Jabotinsky. Irgun, organiza\u00e7\u00e3o clandestina armada de extrema direita, fundada por Begin. Foi considerada uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista.<\/p>\n<p>[5] Ralph Schoenman, Hist\u00f3ria Oculta do Sionismo<\/p>\n<p>[6] Idem<\/p>\n<p>[7] Idem<\/p>\n<p>[8] Idem<\/p>\n<p>[9] Jabotinsky, \u201cCarta sobre Autonomia\u201d, 1904, citado na Hist\u00f3ria Oculta do Sionismo.<\/p>\n<p>[10] Schoenman, trabalho citado<\/p>\n<p>[11] Schoenman, trabalho citado<\/p>\n<p>[12] Idem<\/p>\n<p>[13]\u00a0Idem<\/p>\n<p>[14]\u00a0Este livro foi publicado em 1984 em ingl\u00eas e em 2007, ampliado e atualizado, foi publicado em alem\u00e3o.<\/p>\n<p>[15] Conversa\u00e7\u00f5es com Nahuel Moreno, 1986<\/p>\n<p>[16]\u00a0\u201cCarta de um camarada chileno\u201d, e a \u00a0resposta de Nahuel Moreno foram publicadas no Correio Internacional, ano 1, nro. 8, de setembro de 1982<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma velha narrativa sionista que apresenta como antissemitismo qualquer questionamento do Estado de Israel e dos seus permanentes ataques ao povo palestino. 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