Que os países latino-americanos rompam o bloqueio energético
Por uma mobilização internacional contra o plano de recolonização
Após o êxito de seu ataque à Venezuela, tendo conseguido não apenas sequestrar Maduro e sua esposa, mas também colocar o regime chavista a serviço de seu plano de recolonização, Trump volta-se contra Cuba.
Ele criou um verdadeiro bloqueio energético, ao impor altas tarifas aos países que vendam petróleo a Cuba . O regime chavista participa desse ataque, pois, seguindo as ordens de Trump, o governo de Delcy Rodríguez cortou o envio de petróleo a Cuba.
Os argumentos são semelhantes aos utilizados para justificar o ataque à Venezuela: Cuba seria um perigo para a segurança nacional dos EUA. Seria uma luta da democracia contra a ditadura.
Mas nada disso é verdade. Trump não se importa se há democracia, ditadura, monarquia ou qualquer outro tipo de regime. A prova disso não está apenas nas boas relações que os EUA sempre mantiveram com regimes como o da Arábia Saudita, mas também no que aconteceu recentemente na Venezuela. Apesar das falsas ilusões dos trabalhadores imigrantes venezuelanos de que a operação de Trump abriria as portas para a “democracia”, o presidente ianque não teve nenhum problema em que o regime chavista seguisse no poder, sob sua direção, para garantir seus objetivos em relação ao petróleo venezuelano. Trump, como todo o imperialismo, pode ter mais ou menos confiança em um regime ou outro. Pode ser que, quando considerar que chegou o momento, imponha uma transição para a oposição liberal na Venezuela. Mas o central, para ele, é avançar para um regime colonial ou de protetorado, que lhe garanta o controle total da maior reserva de petróleo do mundo.
Em relação a Cuba, é o mesmo objetivo recolonizador. Embora Trump seja quem aparece liderando a ofensiva, o plano recolonizador não é só dele. Ao contrário do que diz a maioria da esquerda, não é um ataque da “extrema-direita”, mas do conjunto do imperialismo ianque.
A maior parte da burguesia ianque quer participar dos grandes negócios que a restauração do capitalismo abriu em Cuba. Mas até agora isso só pôde ser aproveitado, parcialmente, pelos europeus, porque os burgueses ianques estão limitados pelo bloqueio econômico que ainda existe. É por isso que esse setor da burguesia, que engloba tanto democratas quanto republicanos, há anos é a favor do fim do bloqueio. Não porque queiram ajudar Cuba, mas porque querem total liberdade para fazer seus negócios na ilha, apropriando-se de todas as suas riquezas, especialmente as relacionadas ao turismo, já que se trata da maior reserva turística do mundo. Mas essa não é a sua única ambição. Pois, além dessa, existe uma grande reserva mineral que ainda não foi explorada.
Mas o bloqueio não é cancelado porque existe outro setor, a burguesia cubana de Miami, muito poderosa, inclusive eleitoralmente, que é contra. O que eles querem é recuperar as propriedades que a revolução lhes expropriou e que hoje estão nas mãos da nova burguesia cubana criada a partir da restauração ou sendo controladas pela poderosa burocracia castrista.
Ou seja, todos, de uma forma ou de outra, querem colonizar Cuba. Trump é quem fala mais claramente, por isso afirmou várias vezes que o Secretário de Estado ianque, Marco Rubio, de origem cubana, seria um bom presidente para Cuba.
Agora afirma que, como Cuba não pode viver sem petróleo, seu governo irá negociar. Por sua vez, o governo cubano diz que não vai aceitar a chantagem. Trump pretende aplicar a mesma política que na Venezuela? Mas a devolução das propriedades não é algo que se consiga com uma negociação e, sem isso, ele terá problemas com a burguesia cubana de Miami.
De qualquer forma, o bloqueio energético se mantém e as reservas de petróleo de Cuba estão se esgotando. É um ataque brutal contra toda a população, que já está sofrendo as consequências com o aumento desenfreado dos transportes e dos alimentos.
Não temos o menor acordo político, somos inimigos da ditadura cubana que, sob a direção de Fidel Castro, restaurou o capitalismo na ilha, acabando com as conquistas da revolução, e que hoje exerce um governo totalitário e fortemente repressivo sobre os trabalhadores, os jovens e toda a população. Acabar com essa ditadura é tarefa dos trabalhadores e do povo cubano, e não do imperialismo, que fala de democracia enquanto não só apoia o genocídio em Gaza, como também ataca os imigrantes, matando aqueles que os defendem, como em Mineápolis.
O que aconteceu na Venezuela e está acontecendo agora em Cuba confirma que a grande alternativa para os trabalhadores e os povos da América Latina é: revolução socialista ou colônia. Não há alternativas intermediárias, como comprovam os governos chamados “progressistas” (Lula, Petro, Boric), que diante do ataque imperialista, não vão além de declarações de protesto e não se atrevem a desobedecer ao amo imperialista.
Hoje, a grande tarefa é enfrentar o plano de recolonização, defendendo Cuba do ataque do imperialismo, com o qual colabora o regime chavista.
O governo cubano, que diz não estar disposto a aceitar a chantagem, deveria convocar os povos e governos latino-americanos a uma grande mobilização internacional contra o plano recolonizador de Trump, libertando todos os presos políticos e garantindo o armamento popular, para se defender de qualquer ataque. Não acreditamos que ele o faça, porque teme que o povo volte essas armas contra a ditadura que o oprime, explora e reprime.
Em 1961, após a vitória da revolução e a expropriação da burguesia, os exilados cubanos, organizados pela CIA e sob o comando do “democrata” John Kennedy, invadiram Cuba para tentar recuperar o poder e suas propriedades.
A invasão em Playa Girón começou com um intenso bombardeio e com o desembarque de 1.500 soldados, apoiados pelas poderosas forças armadas norte-americanas. Só que a Cuba revolucionária, a Cuba que havia expropriado a burguesia, resistiu, com mais de 20 mil homens (soldados e milicianos) e em 48 horas derrotou os invasores e até afundou os navios americanos de suprimentos.
Atualmente, o governo cubano enfrenta um desafio semelhante ao de 1961. Resistir, mais uma vez, ao invasor, ou render-se sem lutar, como fez a direção chavista e seus três mil generais?
Não confiamos no governo cubano, assim como não podíamos confiar no governo venezuelano. Não confiamos na burguesia venezuelana nem na burguesia castrista. Porque essas burguesias, assim como todas as burguesias, são covardes. Muito corajosas para enfrentar os trabalhadores e a juventude, mas completamente covardes para enfrentar o amo imperial.
A única forma de impedir a colonização de Cuba é com a classe trabalhadora e o povo em armas.
Os defensores do castrismo e do chavismo dizem que o imperialismo não pode ser derrotado por seu poderio militar. Isso não é verdade, e a prova está no Vietnã e no Afeganistão. O imperialismo pode ser derrotado!
Abaixo o bloqueio energético! Petróleo para Cuba!
O governo mexicano se comprometeu a seguir enviando petróleo. Os governos latino-americanos do Brasil, Colômbia e Equador devem fazer o mesmo. Lula, que se diz amigo de Cuba, deveria encabeçar essa tarefa.
Por uma mobilização internacional contra a ofensiva imperialista!
Impor pela mobilização a ruptura das relações diplomáticas e econômicas com os EUA por todos os governos latino-americanos!
Nenhuma confiança na ditadura castrista!
Fora ianques da América Latina!
Para realmente deter o imperialismo, Cuba precisa de uma nova revolução, contra a nova burguesia castrista e as multinacionais que dominam parte importante da economia cubana, e que enfrente a burguesia gusana que está em Miami.
04-02-2026
